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Seja sempre o Bem vindo

YOGA’S CITTA VRTI-NIRODHAH

Yoga é a inibição das modificações da mente
(Patânjali –Sec. II ou IV DC )

Somos seres espirituais. Cada um de nós, em Essência, é um Ente Divino. Nossas potencialidades são infinitas. Descobri-las é um feito fantástico. Dinamizá-las e manifestá-las é nosso maior desafio (além de ser um direito exclusivamente nosso). Ao aceitá-lo, assinamos um pacto com a Vida, renunciamos ao espectro da morte, abandonamos a perspectiva de uma existência humanamente frágil, enriquecemos nossa habilidade de viver e nos tornamos efetivamente capazes de ajudar o mundo a ser melhor.

Eis o objetivo, tão pura e simplesmente, do Yoga. Sem subterfúgios, sem tolas discussões sobre formas, acentuações gráficas e outras meras modalidades mercadológicas. Yoga é para ser praticado sempre sem perder de vista o desabrochar do Divino, a superação da egolatria, a vitória final sobre as sombras da ignorância fundamental. Superada esta é que ocorrerá o Grande Despertar e, finalmente, a Porta do Sol irá se abrir.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sono e Despertar

Nós, seres humanos, temos necessidade de amar e ser amados. Precisamos da afeição de pais, amigos, namorados, namoradas, cônjuges, filhos... A maioria de nós, porém, não consegue reconhecer que esse desejo é, em essência, um anseio pelo Divino, uma busca da Divindade. Na verdade, a frustração  que experimentamos em nossas relações ocorre porque o amor que conhecemos e exprimimos no plano humano é, apenas , o reflexo  do Amor Verdadeiro que sempre habitou em nós. Nosso humano amor não deve ser evitado, longe disso, porque através dele qualidades divinas, como a compaixão e a generosidade, são desenvolvidas, estimulando-nos o desabrochar espiritual. Eis um dos valiosos ensinamentos do Budha Sidharta: "O que impede o ser humano de perceber a Luz sempre presente em cada um? É a ignorância, a identificação falsa da Natureza Real. A Luz Divina sempre brilha, mas o véu da ignorância a esconde. Esta ignorância é uma experiência direta e imediata e só pode ser removida por outra experiência direta e imediata - a Realização Divina. A diferença entre a ignorância e a Realização Divina é como a que existe entre o sono e o despertar".

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O Verdadeiro Asceta

De que modo podemos, permanentemente, nos devotar ao Ser e, ao mesmo tempo, cumprir nossas atividades rotineiras, exigidas pelo meio social em que vivemos? Esta pergunta foi feita a um Sábio por alguém que viajou por muitas horas para conhecê-lo. Resposta: "Por que você pensa que é ativo? Vejamos o exemplo da sua vinda aqui. Você saiu  de casa, embarcou em algumas conduções, desembarcou e agora aqui se encontra.Se alguém lhe perguntar, você dirá que veio da sua cidade até aqui, não é? Mas, na verdade, você continuou como estava, apenas os meios de locomoção se moveram para trazê-lo. Assim como esses movimentos são tidos como sendo seus, também acontece com quaisquer outras atividades. Elas não são suas, são atividades de Deus". O devoto viajante não se contentou com a resposta e alegou que essa atitude o levaria a um simples esvaziamento mental e paralisaria qualquer trabalho. E o Sábio: "Tente realizar esse esvaziamento e depois me diga". E concluiu: "Um dono de casa, com mil responsabilidades, que não pensa 'Eu sou um dono de casa', é um verdadeiro asceta. Já o asceta, afastado da sociedade, que pensa 'Eu sou um asceta', não o é".

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A Mente-Eu

Mais ensinamentos dos Mestres : "Três categorias integram a nossa relatividade - o mundo, a alma e Deus. A relatividade em que os seres humanos vivem é uma falsa aparência imposta pela mente-eu à Realidade. Esta é o elemento essencial de verdade nos três, obscurecida por nós pela aparência desses três. A origem da ilusão é a sensação do eu, que enquanto perdurar não haverá fim para a ignorância e a escravidão. Isto significa que somente nos libertamos quando nos tornamos sem-eu, porque o estado de libertação é o estado sem ego. Há outras formas de descrevê-lo: Sabedoria, Iluminação,Bem-Aventurança, Perfeição, Paz, ou simplesmente o Estado Natural. São descrições que procuram transmitir algumas idéias definidas desse estado, embora o consigam apenas pálidamente, porque a Libertação transcende todos os limites da linguagem e do pensamento. A felicidade que se obtém após a realização de qualquer desejo não somente é temporária, mas, mesmo enquanto perdura, é reduzida pelos espectros dos outros desejos não realizados. Tal não acontece com a Bem-Aventurança em que vivem os Sábios. No verdadeiro Ser está a plenitude da Bem-Aventurança, onde o desejo não consegue surgir. Ela é pura, completa e infindável, devendo-se ao fato de que o eu - ou seja, a própria raiz do descontentamento, do desejo e da febre de realizações - está morto de uma vez por todas, de modo que não poderá jamais soerguer-se".  

sábado, 22 de setembro de 2012

Personalidade

Fala o Mestre: "Personalidade significa existência  por si só, como um ser separado de todos os outros seres. A alegação para tal existência baseia-se na sensação do eu. A mente-ego é consciente de si mesma como consciente e inteligente. Essa consciência não é sua, mas uma fração diminuta da Consciência que é o Ser, assim como  a luz da imagem do sol vista num espelho é uma fração diminuta da própria luz do sol. A idéia de que a mente ou alma é um entidade consciente é descrita na Sabedoria Antiga como uma ação de furto. Esse furto deve ser desfeito mediante render a mente à Realidade, com o eu nela refletido, compreendendo-se que a Realidade é o Ser. É este o significado que nos mandam procurar na última linha do Gita: 'Refugia-te em Mim, renunciando a todos os teus dharmas'. Aqui dharma deve ser visto com um sentido mais amplo que o normal. Não quer dizer deveres ou comportamento; significa status ou atributos. A alma é um apanhado de atributos, o primeiro e principal dos quais é a personalidade. A esta temos que renunciar. A forma de realizar tal renúncia é a Busca do Ser".

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O Deva e o Buda

O Buda estava um dia no Jardim Anathapindika, na cidade de Jetavana, quando lhe apareceu um Deva vestido de hábitos brancos como a neve e houve o seguinte diálogo:
Deva - Qual é a espada mais cortante? Qual é o maior veneno? Qual é o fogo mais ardente? Qual é a noite mais escura?
Buda - A palavra raivosa é a espada mais cortante. A inveja é o mais mortal veneno. A luxúria é o fogo mais ardente e a ignorância é a noite mais escura.
Deva - Quem obtém a maior recompensa? Quem sofre a maior perda? Qual é a armadura mais impenetrável? Qual é a melhor arma?
Buda - Quem dá sem desejo de receber é quem mais ganha. Quem recebe de outro sem devolver nada é o que mais perde. A paciência é a armadura mais impenetrável. A sabedoria é a maior arma.
Deva - Qual é o ladrão mais perigoso? Qual o tesouro mais precioso? Quem recusa o melhor que lhe é oferecido neste mundo?
Buda - Um mau pensamento é o ladrão mais perigoso. A virtude é o tesouro mais precioso. Recusa o que melhor se lhe oferece quem aspira a imortalidade.
Deva - O que atrai e o que repugna? Qual é a dor mais terrível? Qual é a maior felicidade?
Buda - O Bem atrai. O mal repugna. A maior dor é a má conduta. A libertação é a maior felicidade.
Deva - O que ocasiona a  ruína do mundo? O que destrói a amizade? Qual é a febre mais aguda? Qual é o melhor médico?
Buda - A ignorância arruína o mundo. A inveja e o egoismo destroem a amizade. O ódio é a febre mais aguda. O Buda é o melhor médico.
Deva - Tenho mais uma dúvida: o que é que o fogo não queima, nem a ferrugem consome, nem o vento abate e é capaz de reconstruir o mundo inteiro?
Buda - O benefício das boas ações.
Satisfeito o Deva com as respostas do Buda, com as mãos juntas se inclinou respeitosamente ante Ele e desapareceu.


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Os Mestres Advertem

Cada um de nós é responsável por seus próprios atos e omissões. Dessa responsabilidade não podemos nos livrar. Nosso juiz supremo é a nossa própria consciência. Somente a ela devemos obediência em qualquer circunstância. Ninguém pode ser honrado ou desonrado por atos, palavras ou atitudes de outras pessoas, mas unicamente por seus próprios atos e suas palavras e atitudes. O que dizem, pensam ou propalam de nós, não é problema nosso, mas de quem assim procede, ao qual cabe toda a responsabilidade. Ninguém tem o poder de nos ofender. Quem nos ofende e maltrata são nossos próprios sentimentos inferiores feridos. Somos nós que distribuimos a nós mesmos felicidade ou desgraça, triunfo ou miséria. Nossa existência é um caminho construído por nós mesmos. Ninguém poderá percorrê-lo por nós: o karma de cada indivíduo somente poderá ser resgatado por ele próprio. Onde há amor não há pecado.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Plano da Semente

Um exemplo bastante conhecido nos faz lembrar que a semente tem em si todo o plano da fruta. Por ser do reino vegetal, plantas, assim como minerais e animais, evidentemente, não possuem consciência. Nós, seres humanos, dispomos de uma vontade particular, o que nos difere dos chamados reinos inferiores. Somos capazes de formular e sobrepor conceitos, o que nos oferece o domínio do presente (hoje, agora, está acontecendo isto), do passado (ontem ocorreram tais coisas) e de parte do futuro (amanhã é meu aniversário). Nós temos planos, projetos, anseios, desejos, esperanças, dúvidas. Enquanto o animal conhece e enfrenta somente na hora em que acontecem a fome, o cansaço, o perigo e a morte, seres humanos, conscientes desses padecimentos, antecipam as respectivas agonias. E sofrem. Entre nós predominam as vontades (eu quero, eu vou, eu faço, eu gosto, eu detesto...) o que nos faz viver para comer, beber, dormir, reproduzir (nesse ponto muito nos assemelhamos aos animais) e buscar incessantemente um meio de ser feliz. A felicidade precisa ser encontrada com algo ou alguém. Nunca em nós mesmos. Antigo texto hindu nos descreve: seres humanos são feitos de desejo (kama); conforme seu desejo será sua vontade (kratu); conforme sua vontade, sua ação (karma); cada ação gera uma reação, responsabilizando o livre arbítrio. O que se contrapõe à nossa vontade individual é a chamada "Vontade Cósmica" (um termo impróprio, porém mais adequado para o nosso entendimento), que contraria kama e kratu, provocando uma reação que origina a dor. A dor, antes de tudo profundamente pedagógica, nos acompanhará até entendermos sua origem e tratarmos de eliminá-la, o que se dará quando nos convencermos de que, tal como a semente da fruta, somos portadores do inigualável e amoroso "Plano Divino", tendo ignorado, até então, onde reside a verdadeira Felicidade.