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Seja sempre o Bem vindo

YOGA’S CITTA VRTI-NIRODHAH

Yoga é a inibição das modificações da mente
(Patânjali –Sec. II ou IV DC )

Somos seres espirituais. Cada um de nós, em Essência, é um Ente Divino. Nossas potencialidades são infinitas. Descobri-las é um feito fantástico. Dinamizá-las e manifestá-las é nosso maior desafio (além de ser um direito exclusivamente nosso). Ao aceitá-lo, assinamos um pacto com a Vida, renunciamos ao espectro da morte, abandonamos a perspectiva de uma existência humanamente frágil, enriquecemos nossa habilidade de viver e nos tornamos efetivamente capazes de ajudar o mundo a ser melhor.

Eis o objetivo, tão pura e simplesmente, do Yoga. Sem subterfúgios, sem tolas discussões sobre formas, acentuações gráficas e outras meras modalidades mercadológicas. Yoga é para ser praticado sempre sem perder de vista o desabrochar do Divino, a superação da egolatria, a vitória final sobre as sombras da ignorância fundamental. Superada esta é que ocorrerá o Grande Despertar e, finalmente, a Porta do Sol irá se abrir.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A Gaivota

Uma gaivota conseguiu pegar um enorme peixe. Foi o suficiente para despertar a cobiça das demais gaivotas, também à procura de alimento no mar, que, imediatamente, passaram a atacá-la, tentando arrancar-lhe a preciosidade. Por alguns instantes a gaivota tentou resistir, lutando com todas as suas energias em defesa do que havia conquistado. Até que tomou uma sábia decisão: abriu o bico, deixando escapar a causa de tanta ambição das demais, que continuaram lutando entre si, mergulhando em busca do troféu. E a solitária gaivota partiu, despojada, mas em paz, certa da sua capacidade de continuar desfrutando da inesgotável generosidade que o oceano sempre lhe reservara.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Quem Sou Eu (Parte Cinco)

Ensinam os Sábios: "Enquanto perdurar a idéia de individualidade, todas as pesquisas filosóficas serão inúteis, porque não poderão nos salvar da ignorância primordial". Enquanto a mente identificar o Ser Real com o intelecto, permaneceremos convencidos de que há uma individualidade que precisa ser preservada a todo custo, isto é, prevalecerá o egoismo cada vez mais fortalecido. Vale para qualquer ser humano, desde o mais festejado PhD ao indivíduo mais simples e humilde. A própria alma individual é uma entidade criada pelo intelecto, já que, segundo o Vedanta, não existe base para a existência de qualquer entidade própria isolada do Ser Supremo, a nossa verdadeira Essência. Os textos sagrados garantem: "Não há um vidente, um audiente, um pensador, um conhecedor, que não seja este Ser. Não existe ninguém senão Ele, que vê, ouve, pensa ou sabe. Nós somos este Ser". Sou fulano, sou o autor das ações, sou feliz, sou infeliz, diz o "eu", única fonte de todas as nossas experiências na vida. Nenhum pensamento está livre deste "eu", rabugento, ranzinza, sempre reivindicando o que lhe agrada e repudiando o restante, por isso mesmo, inteiramente exposto ao sofrimento.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Quem Sou Eu? (4)

A sensação do eu é a origem de toda ilusão, obscurece a Realidade e enquanto prevalecer, a ignorância ( Quem sou eu?) e a escravidão (que nos submete às interpretações da mente) não terão fim. Os Mestres nos asseguram, e provam com o seu próprio exemplo, que somente nos libertaremos quando nos tornarmos sem ego, isto é, "sem eu". O ego é um estado de consciência, que precisa ser superado, transcendido, para que "Quem sou eu?" se desvele. Como foi dito anteriormente, a resposta para o título desta série pode surprender, porque simplesmente não existe, ou melhor, qualquer resposta será insuficiente, porque gerada pelo conhecimento convencional, acadêmico, intelectual. A resposta implica em atingir o Estado Sem Ego - também descrito como de Libertação, de Sabedoria ou Iluminação, de Perfeição, Paz, ou simplesmente Estado Natural, indefinível, em qualquer dos casos.
A tradição do Yoga (e as tradições sagradas de todo o mundo) assegura que somos essencialmente Consciência e Energia (cit e shakti), muitíssimo além das limitações do corpo físico, que nos levam à medíocre rotina diária de comer, beber, dormir, fazer sexo, trabalhar e divertirmo-nos ( reparem na semelhança com a vida dos animais...).
O Yoga nos leva ao alcance de experiências de cuja existência somos incapazes de suspeitar, dando ao praticante a capacidade de adotar um relacionamento notóriamente diferente com as atividades comuns da vida, para transformá-las em ocasiões sempre extraordinárias, e sobretudo, habilitá-lo a atingir o principal objetivo de toda jornada humana: o atingimento da Consciência-Resposta para Quem Sou Eu?.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Quem Sou Eu ? (3)

Tudo aquilo que pensamos, falamos e fazemos é resultado de uma conceituação construida pelo intelecto, pela mente. O Yoga nos leva a transcender a mente, sem o que, torna-se impossível alcançar a Realidade Suprema, que,segundo os antigos Sábios da India, é transconceitual (nirvikalpa), não-qualificada (nirguna) e sem forma (arûpa). De acordo com esses ensinamentos, nossas conceituações não possuem "essência", ou seja, não têm realidade independente. Eis a razão do que os Yogues chamam de "ignorância fundamental", que pode ser resumida na auto-indagação "Quem sou eu?". 
Observem como é esclarecedor esse texto de Georg Feuerstein, conceituado pesquisador, fundador e presidente do Yoga Research and Education Center, na Califórnia, autor, entre outras obras pertinentes, do best seller "A Tradição do Yoga". Diz ele: "Todas as coisas que vêm a ser dependem de determinadas causas e condições ou daquilo que na moderna ecologia se chama de "teia da vida" ou "interligação". Quando pensamos numa estrela, por exemplo, temos de admitir que ela não é uma coisa estável, mas um processo muito complexo e de duração limitada. O  mesmo vale para nosso corpo, nossa mente e todas as coisas concebíveis. (O grifo é nosso). Porém, para nos orientar nesse mundo de aparências, temos de construir "artificialmente" um cosmo habitado por coisas estáveis, como que dotadas de uma existência intrínseca. O problema é que começamos a levar essas coisas muito a sério - entre elas o nosso corpo e a mente - e começamos a reagir a elas, desejando-as ou rejeitando-as. No caso do corpo, chegamos ao ponto de nos identificar com ele e por causa disso sofremos consequências negativas de todo tipo, especialmente o medo da morte". (Continua...)   

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Lembre-se

Faça Yoga para ser melhor para os outros e não melhor que os outros. (Hermógenes)l

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Quem Sou Eu ? (Parte 2)

Podemos responder à pergunta "Quem sou eu?" com a afirmação de todo bom estudioso e devoto espiritualista: "Eu sou  Espirito Eterno, temporáriamente habitando um corpo físico." Constatação adequada, mas, ainda assim, resultante de um aprendizado, de uma experiência mentalmente armazenada, de um conhecimento meramente intelectual, incapaz de promover a descoberta do Verdadeiro Ser que buscamos. Resposta incompleta em razão do limitado nível de consciência em que ainda nos encontramos. Uma resposta "humana". Para transcendê-la, é preciso ultrapassar os limites do encarceramento humano, expandindo a consciência.
À propósito, vejamos o que nos diz Swami Satyanada Saraswati, fundador da Bihar School of Yoga, India, num texto publicado em junho de 1981: "O que é a expansão da consciência? Expandir significa romper as limitações da  mente individual. Os sentidos fornecem os estímulos e a mente atua com base nesses estímulos. Esta é a limitação da mente humana comum,porque as percepções sensoriais dependem da qualidade do sistema nervoso sensitivo. O conhecimento é uma qualidade da mente ou depende dos estímulos que são enviados ao cérebro? A consciência é uma entidade homogênea. Mesmo sem a integração dos sentidos, é possível ter o conhecimento, a cognição e a percepção. Normalmente, não possuimos esta percepção supersensorial porque a nossa consciência não oferece oportunidade para experimetar sua natureza homogênea. A mente, a consciência, é uniforme, mas não está atuando integralmente. Se soubermos como ativar as áreas misteriosas da consciência, poderemos experimentar o estado homogêneo da Mente Universal e atingir a Percepção Absoluta".
Como ativar essas "áreas misteriosas da consciência" para obtermos a percepção absoluta que nos levará ao encontro da verdadeira resposta para "Quem Sou Eu?". Não é tarefa das mais fáceis, embora relativamente muito simples. (Continua...)


     

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Quem Sou Eu?

Feche os olhos. Concentre-se no interior das narinas e, ali, procure perceber a respiração, sem provocá-la, por uns poucos segundos.Repare na entrada e na saida do ar, ocorrendo naturalmente. Em seguida, responda: quem é este que, neste exato momento,  está observando a própria respiração? Resposta óbvia: eu.
Agora, mude o foco da atenção para o próprio corpo, percebendo-o aos poucos, dos pés à cabeça, sem pressa, detendo a atenção em cada ponto por alguns instantes. Novamente, responda: quem está obervando o próprio corpo, neste momento? A resposta continua sendo óbvia: eu.
Porque eu observo minha respiração, cada parte do meu corpo e tudo o mais em que eu coloco minha atenção. Eu sou capaz de registrar e avaliar tudo o que os meus cinco sentidos me informam. Mas, quando eu fecho os olhos e faço um simples exercício de concentração como o que foi sugerido acima, e pergunto: quem sou eu?, qual será a resposta? Quem observa o quê? Os sentidos captam. O cérebro registra. A mente processa, "devolve" o resultado e eu o utilizo. Eu, quem? Certamente eu não sou os sentidos, nem a mente, muito menos o cérebro ou qualquer outra parte do corpo, muito menos o próprio corpo, nem todo esse conjunto. Responda, então: quem é você? 
Não vale responder com os dados sociais (nome, profissão, etc.). Nem com o resultado antropológico: eu sou um ser humano; porque um ser humano é um corpo, um cérebro pensante... e já concluimos, lá em cima, que eu não sou nada disso... Afinal, quem ( ou o que) é voce? Continue se perguntando : quem sou eu?
A resposta costuma nos surpreender, como veremos mais adiante...