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Seja sempre o Bem vindo

YOGA’S CITTA VRTI-NIRODHAH

Yoga é a inibição das modificações da mente
(Patânjali –Sec. II ou IV DC )

Somos seres espirituais. Cada um de nós, em Essência, é um Ente Divino. Nossas potencialidades são infinitas. Descobri-las é um feito fantástico. Dinamizá-las e manifestá-las é nosso maior desafio (além de ser um direito exclusivamente nosso). Ao aceitá-lo, assinamos um pacto com a Vida, renunciamos ao espectro da morte, abandonamos a perspectiva de uma existência humanamente frágil, enriquecemos nossa habilidade de viver e nos tornamos efetivamente capazes de ajudar o mundo a ser melhor.

Eis o objetivo, tão pura e simplesmente, do Yoga. Sem subterfúgios, sem tolas discussões sobre formas, acentuações gráficas e outras meras modalidades mercadológicas. Yoga é para ser praticado sempre sem perder de vista o desabrochar do Divino, a superação da egolatria, a vitória final sobre as sombras da ignorância fundamental. Superada esta é que ocorrerá o Grande Despertar e, finalmente, a Porta do Sol irá se abrir.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Os Mestres Advertem

Cada um de nós é responsável por seus próprios atos e omissões. Dessa responsabilidade não podemos nos livrar. Nosso juiz supremo é a nossa própria consciência. Somente a ela devemos obediência em qualquer circunstância. Ninguém pode ser honrado ou desonrado por atos, palavras ou atitudes de outras pessoas, mas unicamente por seus próprios atos e suas palavras e atitudes. O que dizem, pensam ou propalam de nós, não é problema nosso, mas de quem assim procede, ao qual cabe toda a responsabilidade. Ninguém tem o poder de nos ofender. Quem nos ofende e maltrata são nossos próprios sentimentos inferiores feridos. Somos nós que distribuimos a nós mesmos felicidade ou desgraça, triunfo ou miséria. Nossa existência é um caminho construído por nós mesmos. Ninguém poderá percorrê-lo por nós: o karma de cada indivíduo somente poderá ser resgatado por ele próprio. Onde há amor não há pecado.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Plano da Semente

Um exemplo bastante conhecido nos faz lembrar que a semente tem em si todo o plano da fruta. Por ser do reino vegetal, plantas, assim como minerais e animais, evidentemente, não possuem consciência. Nós, seres humanos, dispomos de uma vontade particular, o que nos difere dos chamados reinos inferiores. Somos capazes de formular e sobrepor conceitos, o que nos oferece o domínio do presente (hoje, agora, está acontecendo isto), do passado (ontem ocorreram tais coisas) e de parte do futuro (amanhã é meu aniversário). Nós temos planos, projetos, anseios, desejos, esperanças, dúvidas. Enquanto o animal conhece e enfrenta somente na hora em que acontecem a fome, o cansaço, o perigo e a morte, seres humanos, conscientes desses padecimentos, antecipam as respectivas agonias. E sofrem. Entre nós predominam as vontades (eu quero, eu vou, eu faço, eu gosto, eu detesto...) o que nos faz viver para comer, beber, dormir, reproduzir (nesse ponto muito nos assemelhamos aos animais) e buscar incessantemente um meio de ser feliz. A felicidade precisa ser encontrada com algo ou alguém. Nunca em nós mesmos. Antigo texto hindu nos descreve: seres humanos são feitos de desejo (kama); conforme seu desejo será sua vontade (kratu); conforme sua vontade, sua ação (karma); cada ação gera uma reação, responsabilizando o livre arbítrio. O que se contrapõe à nossa vontade individual é a chamada "Vontade Cósmica" (um termo impróprio, porém mais adequado para o nosso entendimento), que contraria kama e kratu, provocando uma reação que origina a dor. A dor, antes de tudo profundamente pedagógica, nos acompanhará até entendermos sua origem e tratarmos de eliminá-la, o que se dará quando nos convencermos de que, tal como a semente da fruta, somos portadores do inigualável e amoroso "Plano Divino", tendo ignorado, até então, onde reside a verdadeira Felicidade.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A Meditação do Monge Tibetano

Ensinar o mundo a meditar para viver melhor é uma das missões do Monge tibetano Segyu Rinpoche. Carioca, 62 anos, ele vive na Califórnia há 30 anos. Recentemente esteve no Rio, em visita a uma clínica de dependência química, onde médicos puderam ouvi-lo falar sobre medicina tibetana, que vê o paciente como corpo, mente e energia. A seguir, trechos da entrevista que Segyu Rinpoche concedeu à repórter Viviane Nogueira, de O Globo. - Essa idéia de a meditação ajudar só na enfermidade é ocidental. A meditação é um processo para engrandecer a vida e isso inclui estar feliz, alegre. Muda a perspectiva da vida: o sexo, as relações pessoais, tudo fica mais potente. - Meditar é o ato de se concentrar em um objeto que expande e enriquece a mente. Você se prepara, senta e se concentra em um objeto neutro, que pode ser uma cor, um mantra, a respiração... E começa. - Eu medito 24 horas por dia. Como? Eu medito entre uma hora, uma hora e meia, sentado diariamente, mas quando eu me levanto eu não abandono a minha meditação. Estou atento. Percebo a cada momento o modo de ser, estou presente no momento, não estou imaginando o futuro ou numa melancolia do passado. Ao mesmo tempo posso analisar esses fatores para crescer, para entender o dia a dia, isso é uma verdadeira meditação. É evidente que é preciso ter o hábito de sentar pelo menos cinco minutos por dia, de uma boa meditação, para começar a ter efeito. Coloque a mente de volta ao objeto de meditação a cada dispersão e aí realmente você começará a aumentar o tempo gradativamente, porque vai sentindo os efeitos. Em 2004, Rinpoche teve um câncer na garganta. Ele garantiu que durante o tratamento de rádio e quimioterapia não usava remédio para a dor, apenas meditava. - Eu meditava na dor, por isso não tomava remédio. Eu deixei de sentir dor? Não. Sofri porque estava com dor? Não. Eu tinha dor, mas não tinha sofrimento. A doença me mostrou que funciona, minhas meditações não foram em vão.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Yoga do Chapeuzinho

Numa recente semana da Páscoa, a TV exibiu uma reportagem sobre o "Yoga do Chocolate", que acabara de surgir na Califórnia, EUA.  Ao ser entrevistada, a professora responsável pelo "achado" explicou e demonstrou, com a ajuda de uma pequena turma, que a nova técnica consistia em aplicar um tipo de bombom, especialmente produzido e "energizado" por ela, diretamente sobre cada um dos pontos correspondentes aos sete chacras, enquanto os alunos permaneciam deitados, na postura de relaxamento, e faziam determinadas mentalizações. Em seguida, praticava-se uma meditação, em que os bombons eram comidos, um a um. Pode parecer piada, mas a reportagem era séria.
Na verdade, virou moda inventar um meio "diferente" de praticar exercícios, destiná-lo a determinado público e batizá-lo como um tipo de Yoga. Desde yoga para bebês (baby yoga, é importante um título em inglês), até o inusitado dog yoga (isto mesmo, yoga para cães, afinal, eles também se estressam....).
E a lista de novidades continua crescendo: acabam de chegar ao "mercado", yoga hormonal (própria para mulheres enfrentarem a TPM), yoga restaurativa (exclusiva para humanos estressados) e hot yoga (o negócio é suar, num ambiente fechado, a 42 graus Celsius). Sem esquecer do yoga da piscina, yoga da cadeira, yoga do poder...
Modismo, culto ao corpo, lances mercadológicos, ou mesmo pura picaretagem, a intenção é atrair público excluindo a finalidade última do Yoga, que é o autoconhecimento para o alcance dos mais elevados objetivos espirituais. Uma nossa excelente atriz proclama que pratica Yoga há muitos anos, "mas sem qualquer conotação espiritual". Já uma famosa roqueira nacional garante (professora ao lado, durante a entrevista), que "Yoga, sem música pop ao fundo, não funciona pra mim".
Certamente tais criações funcionam muito bem para seus criadores, embora nenhum sucesso se compare ao obtido pelo inventor do yoga do chapeuzinho no ó, ou yôga, somente para jovens de classe média alta. As más línguas asseguram que ele está rico.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

A Felicidade e o Mundo

Não podemos existir sem desejos, preferências e aversões. Mas podemos exercitar a discriminação que nos convencerá a respeito da essência limitada e mutável de tudo que nos cerca, quer sejam situações, objetos, pessoas - o mundo, enfim. Sejamos rigorosos na seguinte avaliação: é possível realizar um desejo, sem que outro desejo surja logo em seguida? Existe algum ganho absoluto, sem a perda de algo ou alguém? Se o que buscamos é a felicidade duradoura (e todos, sem exceção, queremos ser felizes), como construí-la na dependência do que pertence à impermanência do tempo-espaço? É com essa discriminação que poderemos reconhecer o valor relativo do que, até então, consumia nosso talento, nossa energia e merecia nosso total interesse. É verdade que está disseminado o conceito de que os prazeres da vida devem ser aproveitados ao máximo, enquanto durem, já que "o futuro a Deus pertence". Futuro? Se a cada respiração, a cada batimento cardíaco, estamos no futuro, porque não iniciar, agora, o despertar da Consciência Cósmica, não para abandonar o mundo, mas para desprezar a grande ilusão, segundo a qual somente o mundo é capaz de nos oferecer a felicidade?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O Homem Soberano

Meu Mestre disse: "Tudo que age em tudo e em nada se imiscui, é o céu.O Homem Soberano reconhece isto, esconde-o no coração, torna-se ilimitado, de mente larga, tudo atrai a si. E, assim, deixa o ouro permanecer oculto na montanha, deixa a pérola repousar nas profundezas, bens e posses não são vantagens a seus olhos. Ele está acima da riqueza e da honraria. A vida longa não é alvo para a alegria, nem a morte prematura à tristeza. O sucesso não é para ele orgulho, o erro não é vergonha. Tivesse ele todo o poder do mundo, não o consideraria seu. Conquistasse tudo, não o levaria consigo. Sua glória está em saber que tudo está resumido no Uno. E que a vida e a morte são idênticas". (Chuang Tzu, grande Mestre do Tao, III AC).

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A Gaivota

Uma gaivota conseguiu pegar um enorme peixe. Foi o suficiente para despertar a cobiça das demais gaivotas, também à procura de alimento no mar, que, imediatamente, passaram a atacá-la, tentando arrancar-lhe a preciosidade. Por alguns instantes a gaivota tentou resistir, lutando com todas as suas energias em defesa do que havia conquistado. Até que tomou uma sábia decisão: abriu o bico, deixando escapar a causa de tanta ambição das demais, que continuaram lutando entre si, mergulhando em busca do troféu. E a solitária gaivota partiu, despojada, mas em paz, certa da sua capacidade de continuar desfrutando da inesgotável generosidade que o oceano sempre lhe reservara.